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Associação de Educação Financeira do Brasil

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Época Negócios – Como a economia comportamental foi usada no programa de educação financeira do Bolsa Família

 POR EDSON CALDAS

O desafio era ensinar as beneficiárias do programa a utilizar melhor recursos bastante limitados — e poupar

Era 2014. Marina Cançado, que acabara de fundar a consultoria Flow Brasil, recebeu uma missão: ajudar a desenvolver um programa de educação financeira para as beneficiárias do Bolsa Família. Dois anos antes, o Ministério do Desenvolvimento Social deparou-se com o desafio de ensinar aquelas mulheres a utilizarem melhor seus recursos (já bastante limitados) — e mais, poupar. Não era uma tarefa fácil. As responsáveis pela façanha revelaram os bastidores do que aconteceu durante o evento “Ciência Comportamental: Como acelerar as mudanças que o Brasil precisa a partir de uma nova visão do comportamento humano”, que ocorreu nesta quinta-feira (24/08), em São Paulo.

Hoje, o Bolsa Família beneficia 44,51 milhões de pessoas, o equivalente a 13,49 milhões famílias. Elas estão distribuídas pelas zonas rural e urbana, têm de três a quatro crianças e vivem com uma renda per capita de aproximadamente R$ 180. São 21 milhões de crianças e jovens. “Temos um dos maiores programas de transferência de renda no mundo”, diz Caroline Paranayba, diretora do departamento de benefícios do Bolsa Família. “Muitos dos beneficiários estavam em situação de fome.”

O governo percebeu a necessidade de ajudar os chefes de família do programa, majoritariamente mulheres, a utilizar melhor os recursos que recebiam e, assim, contribuir para o desenvolvimento local. “Educação financeira era mais uma faceta no combate à pobreza”, diz Caroline.

Antes de mais nada, era preciso identificar os fatores que influenciam a tomada de decisão daquelas mulheres. Como elas têm uma vida muito diferente do que alguém em um escritório pode imaginar, o jeito era fazer uma verdadeira imersão. Segundo Marina Cançado, da Flow, durante meses, a equipe comia e dormia com as beneficárias.

A Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil) também foi convocada para ajudar na missão. Segundo Cláudia Forte, superintendente da entidade, o desafio era disseminar as informações de educação financeira de um jeito que levasse em conta as questões locais. “Queríamos que os comportamentos das beneficiárias mudassem, não queríamos só gravar regrinhas de finanças batidas, quase de autoajuda”, afirma. A ideia era mostrar que aqueles 25 centavos que sobravam de troco da padaria não precisavam ser usados para comprar uma balinha, mas poderiam ser poupados para emergências e até para a realização de objetivos.

Com base no conhecimento adquirido na imersão, a consultoria e a associação forjaram oficinas de educação financeira e um “kit de tecnologias sociais”, especialmente pensado para as beneficiárias. Esse kit continha três cofres — um pequeno, um médio e um maior. Os dois menores, para o dia a dia e emergências, podiam ser abertos quando necessário. Não havia razão para se sentir culpado em retirar o dinheiro dali. O maior, fechado, era para sonhos de longo prazo. O kit ainda continha uma carteira que facilitava anotar dívidas e uma agenda para planejamento com peças coloridas, que dispensavam a necessidade de saber escrever. Tudo com o objetivo de facilitar fazer uma poupança. “Muitas vezes, elas não tinham sequer energia mental para pensar no futuro”, afirma Marina. “Muito da ciência comportamental está nos detalhes.”

Os resultados apareceram. Questionários posteriores ao programa mostraram que a iniciativa aumentou de 19% para 34% o percentual de mulheres que conseguem financiar ao menos uma emergência; elevou de 27% para 38% a parcela de beneficiárias que têm poupança ou reserva de dinheiro; houve melhora de 9,5% no índice de planejamento do orçamento; e também ganho de 73% no índice de conhecimento sobre planejamento financeiro. Marina defende que os números mostram que o programa foi bem-sucedido. “Parece pequeno, mas tem um grande impacto.”

Clique aqui para ler a matéria original no site da Época Negócios.


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